A minha pegada

No ano passado, decidi que tinha de reduzir a minha pegada ecológica. Para isso, além de ter optado por uma dieta vegetariana – que reduz para metade as emissões de CO2 –, tornei-me mais consciente do meu comportamento enquanto consumidor e alterei alguns hábitos: passei a perguntar-me “preciso mesmo disto?” e a comprar, apenas, o que preciso realmente; prescindi de grande parte dos produtos que eu posso fazer em casa, livrando-me de níveis de açúcar, sal e aditivos prejudiciais à saúde; passei a comprar produtos maioritariamente biológicos e que sejam de produção local e da época, evitando os que percorrem longas distâncias para chegar até mim ou que contenham ingredientes cuja produção é nociva para o planeta (como o óleo de palma, por exemplo); reduzi o consumo de água ao indispensável; e lancei a mim próprio o desafio de reduzir a minha produção de lixo, em especial do plástico.

Reduzir o consumo de plástico não é fácil, pois ele está em todo o lado. Ainda assim, decidi avançar. Procurei algumas ideias na internet e acabei por encontrar o movimento Lixo Zero Portugal, que me inspirou a prosseguir. Comecei por trocar os sacos de plástico pelos de papel – ou pela mochila – e a reutilizar os que já tinha comigo. Depois, reduzi a compra de produtos embalados, especialmente alimentares. Naturalmente, vi-me a deixar de frequentar grandes superfícies comerciais para passar e ir a mercados de rua e mercearias, encontrando produtos a granel, a melhor preço e com mais qualidade. Para conservar os produtos em casa, recorro a frascos de vidro, que reutilizo. E o plástico vai desaparecendo aqui em casa. Porém, na rua, ainda é muito desafiante livrar-me dele, seja num restaurante, num bar ou, até, na repartição de finanças, com aqueles dispensadores de água com copos de plástico para nos servirmos. O plástico é a praga do século XXI.

Há uns meses dei por mim a tomar consciência da quantidade de copos e de garrafas de plástico que vão para o lixo diariamente, só porque temos sede. Grande parte desse plástico não segue para reciclagem, acaba num aterro ou no oceano, levando entre duzentos a quinhentos anos a desintegrar-se e provocando impactos terríveis na natureza. Muito desse plástico acaba por entrar no nosso organismo, através de microplástico, presente no peixe – para quem ainda se alimenta de peixe – ou em bebidas engarrafadas, nomeadamente na água, o que representa sérios riscos para a nossa saúde.

É um absurdo comprar uma garrafa de água de plástico e deitá-la para o lixo assim que fica vazia. Para me livrar um pouco mais do plástico quando estou na rua, comprei uma garrafa de vidro na semana passada. Havia já alguns dias que procurava uma que desse para levar sempre na mochila; sou pessoa de beber muita água diariamente. Acabei por encontrar uma garrafa de meio litro, com um design engraçado, muito fácil de transportar e, claro, reutilizável.

Quando comecei a investigar como reduzir a minha pegada ecológica, percebi que seria determinante reduzir o consumo de plástico. Acaba por ser um exercício divertido, não só porque me desafio, mas acima de tudo porque aprendo muito neste processo, sobre o planeta, sobre a natureza e sobre mim próprio. E apenas tive de implementar, de facto, um conjunto de três palavras que aprendi quando entrei na escola, nos anos 90, mais conhecidas por 3R: reduzir, reutilizar e reciclar.

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